quinta-feira, 12 de março de 2009

A VOZ DO VENTO


Uma flor existia, apenas existia, muda e inexpressiva, na beira de um lago próximo a montanha. Mas ela não sabia que existia, nem sabia quem era. Existia apenas dentro do eterno silêncio e isto lhe bastava. Desejava ficar ali, imóvel, fazendo parte apenas dela mesma. Não havia sentido vontade de dar nome as coisas, nem de experimenta-las. O importante era se integrar completamente ao nada, porque este nada era toda a realidade que ela percebia. Queria permanecer anônima dentro do inexistente, fora do tempo e do espaço e fora dela mesma. Mas esta flor inconsciente dela mesma, foi acordada pela voz do vento. Nesse dia descobriu que havia alguma coisa a mais existindo fora dela. Lembrou que já havia recebido aquela visita antes em seu corpo, mas esta era a primeira vez que se sentia tocada realmente por dentro. E, quando o vento sussurrou nos seus ouvidos, lindas palavras, a flor sentiu-se viva pela primeira vez. Escutou aquela voz tão doce falando que ela era uma rosa branca, cuja pureza brilhava como uma estrela solitária na imensidão da noite. Atônita com aquela revelação, debruçou-se sobre o lago para examinar aquele reflexo luminoso que nadava lá dentro. E, a partir daquele momento, passou a existir realmente e a saber quem era. A flor reconheceu a vida que pulsava dentro e fora dela. Agora podia sentir o brilho do sol, o frescor da chuva. E, ouvindo o canto dos pássaros aprendeu a cantar a sua própria canção. Ansiava agora pela carícia do vento da montanha. Como uma noiva radiante em seu vestido branco, esperava pelo noivo prometido, na esperança de conseguir ver o seu rosto, e dançar com ele a música do amor eterno. Mas o vento sábio nunca mais voltou. Compreendeu que o amor da rosa, deixava-a vulnerável demais. Sabia que se aproximando novamente, ela acabaria por desvanecer nos seus braços. A rosa chorou. Chorou de saudade. Chorou por amor. Chorou com aquela brusca separação. Triste, sabendo que nunca mais sentiria a presença do vento no seu corpo, a rosa ainda se encantava com a magnitude do seu amigo querido. Agradeceu-lhe o valioso presente que havia recebido dele, o presente de ter lhe dado ela mesma. Secou as lágrimas e ergueu o olhar para o azul do céu, pois sabia que lá, em algum lugar, alguém olhava para ela com ternura. E, mesmo que jamais o encontrasse de novo, sentia que ele estaria com ela para sempre, pois as suas vozes haviam se misturado dentro dela, agora eram uma única voz brincando pela montanha sagrada. E assim é o coração de quem um dia gostou de alguém e dedicou a esse alguém , boa parte de sua vida... é assim o coração... às vezes chora de dor... chora de raiva, de mágoa... sente-se frustrado como se tivesse sido derrotado... sente-se fracassado...mas tb chora de saudades... O importante não é se deu certo ou não, se valeu a pena ou não... o importante é que você foi capaz de de gostar de alguém. Você foi capaz de sentir o coração pulsar forte por alguém. É isso o gostoso!!! Gostoso é gostar de alguém!!!... Sentir-se vivo (hummm, como é bom gostar de alguém!!!), ter um objetivo ao acordar (será que hoje vou vê-lo(a)???), ter um propósito na hora de escolher uma roupa (será que ele(a) vai gostar dessa roupa???), ter um sorriso diferente nos lábios, um olhar de desejo... enfim... o ruim é estar com o coração vazio, frio, incapaz de sentir alguma emoção, algum desejo... Se você sofreu por alguém, lembre-se que antes de tudo você já é um(a) vencedor(a)... a partir do momento em que é capaz de ter sentimentos tão nobres...não importa as lágrimas choradas... importa cada momento bom compartilhado...não importa os castelos desfeitos; importa os sonhos que você ainda é capaz de sonhar!!!! A

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